Conforme tinha dado conta, estive na passada sexta-feira no 1º Seminário de Fundraising – criatividade e inovação na angariação de fundos para o 3º sector.
Deixo aqui algumas das ideias e conceitos que mais me chamaram a atenção. As comunicações feitas pelos oradores presentes estarão disponíveis no site da empresa organizadora no final da semana, foi-me dito.
“A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo” – com estas palavras, David Saint, presidente da Action Planning (UK) chamou a atenção para a importância do planeamento estratégico em fundraising como nas restantes actividades de uma organização.
Quando falamos em planeamento estratégico, pensamos em:
- Definição clara de objectivos. Os objectivos deverão ser SMART: Specific; Measurable; Achievable; Relevant; Relevant
- Calendarização clara para os atingir
- Planos de acção para os pôr em prática
- Avaliação
- Revisão
Tudo isto pode parecer óbvio, mas na prática – digo-o por experiência própria – é bem difícil de conseguir. Portugal continua a ser manifestamente deficiente numa cultura de planeamento e avaliação de resultados, o que também não facilita a vida de quem quer evoluir para uma forma mais madura de trabalhar.
Isabel Guerra veio salientar a importância da avaliação no planeamento estratégico, lançando a interessante questão da necessidade desta mesma avaliação para a prossecução das novas alianças entre ciência e político (conhecimento e acção), das novas solidariedades entre actores (regulação social) e das novas formas de governância (democracia), afastando-se bastante das questões práticas ligadas ao Fundraising.
Sérgio Figueiredo da Fundação EDP falou da vocação da Fundação para estimular actividades em lugar de financiar instituições e do papel que os financiadores podem ter em procurar que os fundraisers se articulem em parcerias sempre que os projectos o justifiquem.
Valerio Melandri, director do Mestrado em Fundraising da Universidade de Bolonha, enfatizou o Fundraising como PROCESSO e não como evento, como RELAÇÃO e não como contacto e a necessidade de o fundraiser colocar a tónica no conhecimento dos doadores e não no dar a conhecer do seu projecto e da sua organização como factores de sucesso para a actividade de fundraising.
Celso Grecco reforçou a ideia de necessidade de pensarmos com a cabeça do público-alvo da nossa acção e apresentou dois projectos interessantes – a Bolsa de Valores Socias e Ambientais (iniciada por si no Brasil e em processo da avaliação em Portugal pela Euronext) e o Charity Bank, um banco sem fins lucrativos para o 3º sector.
O dia terminou de novo com David Saint, que deixou um “Guia para pedir de acordo com a louvável sabedoria de uma criança de 12 anos” (o sentido era este, as palavras são minhas):
- Saiba exactamente o que quer
- Peça às melhores pessoas para dar
- Apresente o projecto do ponto de vista daqueles a quem pede
- Torne a resposta daqueles a quem pede fácil
- Siga o pedido e a resposta (follow-up)
- Agradeça as ofertas
- Lembre-se que tem o direito a pedir